• Gabriel Dal Piaz

Desafios do Home office

Há mais de seis meses, trabalhar de casa passou a fazer parte da rotina de milhões de pessoas no Brasil.


De acordo com dados oficiais (PNAD/IBGE), em julho, por exemplo, havia 8,4 milhões de trabalhadores remotos no País. 4,9 milhões no Sudeste, região que concentra os profissionais mais qualificados e o maior produto interno bruto. Apenas 252 mil estavam no Norte, a fatia mais pobre do Brasil.


A modalidade, contudo, acabou se tornando mais um indicador da desigualdade social brasileira. Quando se compara a proporção de trabalhadores em teletrabalho com a população ocupada em cada região, a disparidade fica ainda mais evidente.


O trabalho remoto tem destinatário: a parcela de empregados que tem curso superior completo ou pós-graduação (6,1 milhões, quase 73% do total). Em contrapartida, apenas 70 mil dos trabalhadores que estão no sistema não completaram o ensino fundamental.


O primeiro desafio, portanto, é o de encontrar mecanismos que permitam universalizar a modalidade, especialmente porque cerca de 30% das empresas nacionais deverão manter o home office definitivamente.


Na lista de questões a enfrentar, destaque para a ergonomia, a privacidade e o direito à desconexão.


É razoável imaginar que as partes interessadas possam encontrar meios adequados para que o trabalho seja desenvolvido de modo a preservar a saúde do trabalhador.


Com relação à privacidade, estabelecer regras claras pode ajudar.

Em paralelo, as horas de trabalho, o esgotamento e o tempo prolongado no computador têm sido os principais obstáculos.


Segundo levantamento realizado pelo Project Management Institute, os trabalhadores estão pressionados a melhorar o desempenho, o que aumenta o tempo de atividade. A produtividade matinal cresceu em decorrência da redução dos deslocamentos. Assim, os empregados começam a trabalhar cada vez mais cedo em relação ao período anterior a Covid-19. No grupo avaliado, houve um incremento de 26% às 4h, 23% às 5h e 22% às 6h. No entanto, verificou-se uma queda de atividade à tarde, entre 13h e 17h. Enquanto isso, a retomada do trabalho no final teve um acréscimo de 30% em relação aos acessos pré-Covid.


O cenário ganha complexidade quando o tema é a desconexão, especialmente porque as divisas entre vida pessoal e profissional ficam muito estreitas no momento em que um só espaço é utilizado para as duas fronteiras.

Por Gabriel de Oliveira Dal Piaz

Advogado Trabalhista em Concórdia (OAB/SC 22.429)

gabriel@dalpiazadv.com.br