• Gabriel Dal Piaz

Fadiga de Zoom

Fenômeno pode ser comparado ao desconforto do elevador, onde se relativizam as normas não escritas sobre a distância a guardar com estranhos


A sensação de esgotamento com as videochamadas por aplicativos como Zoom, Google Meet e Microsoft Teams é sentida por quem trabalha ou estuda em casa.


O fenômeno foi batizado de fadiga de zoom.


Mas por que as reuniões telepresenciais cansam mais do que as presenciais?


Estudo recente da Universidade de Stanford adverte para o estresse causado pelo mosaico de rostos com os quais se interage tão de perto, ancorado a uma cadeira, com dificuldade para captar a linguagem não verbal.


Como incômodo adicional, é necessário lidar com a face permanentemente exposta ao julgamento dos demais e à própria autoavaliação na tela.


Segundo o autor do estudo, tal fenômeno pode ser comparado ao desconforto do elevador, onde se relativizam as normas não escritas sobre a distância a guardar com estranhos, e a reação natural é desviar o olhar para minimizar o contato visual e compensar o excesso de proximidade.


Ele destaca que no Zoom acontece o contrário.


Em uma reunião normal, independentemente de quem estiver falando, cada pessoa está olhando diretamente nos olhos dos outros.


O elevador virtual é também um imenso espelho; é algo semelhante a ter um assistente com um espelho fixo durante o trabalho e enquanto as tarefas são executadas.


Fadiga por zoom

O esforço de comunicação é maior em comparação a um telefonema. O trabalho da universidade norte-americana aponta que se fala com um volume 15% mais alto quando se participa de uma videoconferência, e que a falta de proximidade física busca ser compensada exagerando na linguagem não verbal com movimentos de cabeça.


Outro incômodo do qual nem sempre os teletrabalhadores estão conscientes é que a videoconferência é uma forma de comunicação estática, o que a diferencia das conversas telefônicas ou ao vivo, pois não permite caminhar ao mesmo tempo, tornando-a menos natural.


A Universidade de Stanford considera que o estudo publicado é o primeiro a analisar a fadiga do Zoom sob um ponto de vista psicológico.


Medidas como usar um teclado externo para aumentar o espaço em relação à tela, reduzir o tamanho da janela do aplicativo no monitor, desligar a câmera periodicamente se você não estiver a falar e mover-se um pouco pelo cômodo estão entre os conselhos para reduzir essa fadiga.


No Citigroup, um dos maiores bancos do mundo, por exemplo, acabaram-se os encontros remotos no final da semana. Houve a criação das “sextas-feiras livres de Zoom”, bem como a recomendação para que se evite a todo o custo trabalhar fora do horário de trabalho normal (pré-pandemia).


No ambiente corporativo virtual, tornar as videochamadas menos estruturadas e com mais tempo para bate-papos informais pode reduzir a fadiga das incessantes reuniões telepresenciais realizadas nos últimos meses e pelo que se tem lido e ouvido, também nos próximos anos.


Gabriel Dal Piaz

Advogado Trabalhista em Concórdia/SC