• Dal Piaz Advocacia

Quando menos é mais

O hábito de agrupar os dias em períodos de sete unidades que hoje chamamos de semana é originário dos babilônios. Foi adotado pelos gregos e romanos, que deram nome a estes períodos tendo como base o número sete. Em Roma, foi adotado o nome “septímana”, que chegou ao espanhol e ao português como semana.


Trabalhar seis dias e descansar no sétimo é quase um dogma no mundo do trabalho brasileiro cuja jornada clássica é de 44 horas semanais. Contudo, há experiências de sucesso que desafiam a tradicional relação entre horas de trabalho e produtividade.


Entre março e abril de 2018, uma empresa da Nova Zelândia propôs uma experiência que se revelou exitosa. Destacou cerca de 200 empregados para trabalhar sob uma jornada de trabalho reduzida de 32 horas distribuídas em apenas quatro dias – em vez de 40 horas ao longo de cinco dias.


A semana mais curta não afetou salários e benefícios, mantidos intactos. O resultado do experimento, acompanhado por pesquisadores de universidades locais, é agora compartilhado pelo presidente da empresa, Andrew Barnes, que afirma que buscará formas de fazer da jornada menor algo permanente.



Mesmo trabalhando um dia a menos, a direção da empresa não notou queda na produtividade. Além disso, de acordo com os empregados participantes – que responderam a questionários antes, em 2017, e depois do período da experiência –, a nova jornada trouxe uma série de benefícios.


Para os empregados, que relataram terem usado o dia a mais livre para passar mais tempo com a família, se exercitar, cozinhar e se dedicar a outras atividades, como jardinagem, o nível de estresse caiu de 45% para 38% e a sensação de equilíbrio entre a vida dentro e fora do trabalho subiu de 54% para 78%.

Supervisores perceberam que a equipe ficou mais criativa, o comparecimento melhorou, a pontualidade imperou e os intervalos durante o expediente foram encurtados.


O dono da empresa teve a ideia da semana de trabalho menor após ler um estudo britânico que mostrava que, no geral, funcionários passam menos de três horas por dia trabalhando de modo eficiente – as demais são gastas em redes sociais, lendo notícias, falando sobre o trabalho com colegas, fazendo pausas para cafés e cigarros.


Produtividade. “O que se faz na empresa é uma clara distinção entre a quantidade de horas que você passa no escritório e o que se consegue com isso. Se você produzir essa quantidade de coisas, nós vamos te pagar essa quantidade de dinheiro. Não se trata de quanto tempo você passa no escritório”, destaca Andrew Barnes.


Para um mundo em que o velho não nos serve mais e ainda não sabemos o novo que queremos, talvez otimizar o tempo de trabalho seja um ideal a perseguir. Trocar o terno, a gravata e o sapato pela camiseta, a bermuda e o chinelo com mais frequência pode nos despertar para aquilo que efetivamente importa nesta curta passagem por aqui!


Por Gabriel Dal Piaz                           Advogado (OAB/ SC  22.429) e Professor        gabriel@dalpiazadv.com.br

© 2019 | Dal Piaz Advocacia Trabalhista | Todos os direitos reservados | Onfile! Conteúdo Digital