• Gabriel Dal Piaz

Novo normal trabalhista

O trabalho à distância, as reuniões telepresenciais e tudo o mais que se tem feito remotamente desde o início da pandemia provocada pela Covid-19 indicam um novo caminho para as relações de trabalho.

A transformação repentina de cozinhas e quartos em escritórios improvisados tende a perdurar.

Dados recentemente divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelaram que a migração do trabalho presencial para o home office poderá ser adotada em 22,7% das ocupações nacionais, alcançando mais de 20 milhões de pessoas. Isso colocaria o Brasil na 45ª posição mundial e no 2º lugar no ranking de trabalho remoto na América Latina.

A quarentena imposta pela pandemia levou 77% das pequenas e médias empresas brasileiras para o home office. As informações são do estudo global realizado pelo software Capterra e pelo instituto de estudos Gartner, com 4.600 profissionais de pequenas e médias empresas da Austrália, Brasil, Espanha, França, Alemanha, Itália, México, Holanda e Reino Unido, entre os dias 4 e 14 de abril. O levantamento revelou que empresas de todo o mundo estão se adaptando ao trabalho remoto. E entre os países analisados, o Brasil é o primeiro lugar em proporção de trabalhadores remotos. A pesquisa também constatou que antes da pandemia, 42% dos trabalhadores não costumava trabalhar remotamente e, agora, 55% acredita que os negócios podem funcionar permanentemente com equipes remotas.


Segundo a Cushman & Wakefield, cerca de 85% dos executivos no Brasil enxergam mais vantagens do que desvantagens no trabalho remoto. Além disso, 73,8% das empresas pretendem adotar o sistema home office de alguma forma após a pandemia.

De outro lado, a necessidade de adaptação já faz com que empresas repensem, juntamente com arquitetos e consultores sanitários, os conceitos dos escritórios corporativos, que devem ter mais espaço entre os trabalhadores, janelas abertas e foco total na higiene.

Com a chegada da pandemia, o Ministério Público do Trabalho recomendou, entre outras coisas, que as empresas pudessem “organizar o processo de trabalho para aumentar a distância entre as pessoas”.

Dessa forma, companhias que já planejam um retorno aos escritórios com a reabertura gradual das cidades começam a repensar os locais de trabalho.

Distanciamento, higienização e sinalização devem conduzir a readequação proposta pelos especialistas. Com o layout atual e a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de distanciamento de cerca de 1,80 m entre as pessoas, a sala de reunião de seis lugares fica com apenas dois lugares.

Para quem permanecerá em casa, o desafio se mantém: equilibrar trabalho e atividades domésticas; aos que retornarem aos seus escritórios de origem, aquela espichada no sofá no meio da tarde – pouco ergonômico, mas muito confortável – poderá ser compensada pelo descontraído intervalo do café na copa readaptada.



Por Gabriel de Oliveira Dal Piaz Advogado Trabalhista em Concórdia (OAB/SC 22.429) gabriel@dalpiazadv.com.br

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