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Economia de plataforma

Atualizado: 8 de Jun de 2019

O futuro do trabalho tem alimentado, ocupado e preocupado muitas mãos e mentes.

De acordo com estudo realizado pelo Institute For The Future (IFTF), 85% dos trabalhos que existirão em 2030 serão novos. A pesquisa contou com a participação de 3.800 líderes de negócios de médias e grandes corporações em 17 países, dentre os quais o Brasil, onde o desemprego atinge 13,1 milhões de pessoas. Além disso, 28,3 milhões têm a força de trabalho “subutilizada”, ou seja, gostariam – ou precisariam – trabalhar mais horas. 4,8 milhões de pessoas já desistiram de procurar emprego.


Na luta pela subsistência - “não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”, teria dito (há controvérsias), Charles Darwin – surge um modelo que poderá transformar completamente o mundo do trabalho: o crowdworking.

Ele faz parte da chamada economia de plataforma, na qual o fornecedor e o cliente se encontram em sites especializados, onde as empresas oferecem trabalho (crowdsourcing) que podem ser assumidos por membros registrados, os crowdworkers. As tarefas contratáveis vão desde a produção de texto ou categorização de dados até questões mais complexas.


A Alemanha foi uma das pioneiras no mundo.


O modelo tem se espalhado rapidamente.



A Veedeeo Guru é uma plataforma gratuita que se apresenta como a “maior montra (vitrine) de profissionais online de Portugal”. Nele, os prestadores de serviços se registram e disponibilizam as suas agendas. Os clientes elegem seus candidatos e marcam data e horário para um encontro numa sala virtual onde a contratação é formalizada.


Já o UpWork conecta profissionais do mundo, operado exclusivamente em inglês, com honorários contratados em dólares. Vários segmentos estão inseridos na plataforma, com destaque para o desenvolvimento web, mobile e software; design e criatividade; suporte administrativo; TI; escrita; vendas e marketing; tradução; engenharia, arquitetura e jurídico.

No Brasil, a startup GetNinjas cobra uma pequena mensalidade dos usuários e abrange os clássicos serviços de comunicação e TI e outros como reformas, aulas, saúde e serviços domésticos.


“Até que os leões tenham seus próprios historiadores, as histórias de caçadas continuarão glorificando o caçador”, diz um provérbio africano recobrado pelo escritor Eduardo Galeano, no seu espetacular “O Livro dos Abraços”.


Na atual quadra histórica, a economia de plataforma tem sido festejada por muitos, assim como foi comemorada a legalização do empregado intermitente, a gestante que deve trabalhar em ambiente insalubre e o grave retrocesso social promovido pela reforma trabalhista inaugurada no governo do presidiário, digo, presidente Michel Temer e que terá novos desdobramentos, como já anunciado pelo atual inquilino do Palácio do Planalto.


Por Gabriel Dal Piaz                          

Advogado (OAB/ SC 22.429) e Professor       

gabriel@dalpiazadv.com.br

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