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Desalentados

De acordo com o mais recente levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desalento abate cerca de 4,6 milhões de brasileiros. São pessoas que não possuem emprego e desistiram de procurar novas oportunidades. Profissionais vencidos pelo desânimo, cansados das negativas recebidas ao longo da jornada em busca de recolocação.


A última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) revelou que a maioria dos desalentados se concentra na região Nordeste, principalmente mulheres, entre 18 e 24 anos, que possuem o Ensino Fundamental incompleto.  


A PNAD é a mais completa radiografia sobre emprego no Brasil. O IBGE faz esse levantamento todo mês, visitando 70,4 mil domicílios mensalmente, e cerca de 211 mil a cada trimestre.


Os trabalhadores com ensino médio incompleto representam parte substancial da mão de obra no País. Esse profissional é o mais afetado com as oscilações no mercado de trabalho.



A pesquisa leva em consideração alguns conceitos importantes para entender a estatística apresentada. Por desocupado tem-se o comumente chamado de desempregado: quem procurou uma vaga na semana em que foi questionada pelo IBGE, mas não encontrou. São, por exemplo, aqueles que procuram oportunidades em filas de bancos de vagas.


Já o subocupado por insuficiência de horas trabalhadas é aquela pessoa que tem algum tipo de ocupação, mas gostaria de trabalhar mais que 40 horas por semana. Um motorista de Uber ou profissional freelancer pode se enquadrar nessa categoria, caso responda à pesquisa que tem vontade de trabalhar mais horas, em um emprego de carteira assinada, por exemplo. Caso a pessoa esteja satisfeita com o número de horas trabalhadas, não pertence a esta categoria.


Por fim, a força de trabalho em potencial considera um grupo de pessoas que não está empregada, mas poderia trabalhar. Nesse caso, o entrevistado até tomou alguma providência para conseguir vaga, mas não podia trabalhar, na semana em que foi procurado pelo IBGE, por vários motivos, como problemas de saúde ou necessidade de cuidar de crianças ou idosos.


Se somados todos aqueles desempregados, subocupados, desalentados e pessoas que não podem assumir os cargos desejados atinge-se inacreditáveis 27,7 milhões de cidadãos à margem do mercado de trabalho.


Uma das promessas da Reforma Trabalhista em vigor desde novembro de 2017 é reverter esse quadro; até agora, infelizmente, o que se viu foi o contrário, com aumento no índice de desemprego e queda no poder de compra dos trabalhadores brasileiros, muitos dos quais desalentados tanto na estatística quanto na esperança por dias melhores.


Por Gabriel Dal Piaz                          

Advogado (OAB/ SC  22.429) e Professor       

gabriel@dalpiazadv.com.br

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