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Boreout: Síndrome do tédio no trabalho

A captação, gestão e retenção de talentos tem desafiado os pensadores das relações de trabalho diariamente.


Se de um lado o desemprego assola 13,7 milhões de pessoas no Brasil, de outro, parte dos que mantém seus empregos tem sido submetida ao esgotamento emocional (Burnout); já determinados profissionais tem se revelado entediados, inadequadamente estimulados, o que já foi batizado pela melhor doutrina como Síndrome de Boreout.


Segundo especialistas em gestão do estresse, o Boreout ocorre quando a falta da estimulação correta é o principal problema. Se uma das causas do Burnout é o excesso de estímulo, no Boreout normalmente a pessoa tem capacidades acima do cargo ou da função que são subutilizadas.


Com o tempo, isso faz com que empregados com grande potencial sejam, aos poucos, desgastados por essa cultura no trabalho, que visa a resultados muito aquém das possibilidades do time ou da equipe, provocando três consequências: tédio, que é a falta de ânimo e desorientação com relação ao papel profissional; infra exigência, que é aquela sensação de que se poderia fazer muito mais ou muito melhor do que é exigido; e, por último, o desinteresse, que é a falta de identificação com o trabalho, com a função ou com a empresa. Em outras palavras, é uma apatia em relação à vida profissional.


Para disfarçar essa situação, as pessoas tentam passar a impressão de que estão sempre ocupadas. Simulam que estão levando trabalho para casa no final de semana, mandam e-mails de madrugada para sugerir que estavam trabalhando naquele horário, enfim, criam um cenário para poder manter aquele trabalho, que, na verdade, desempenham muito mal.



Outra característica comum desses profissionais é não tomarem decisões radicais para não correr riscos dentro da empresa, mas também sem fazer nada para melhorar seu desempenho ou a companhia para a qual trabalham.


As síndromes relacionadas ao trabalho custam caro: no relatório “Adoecimento mental e Trabalho”, que analisou a concessão de benefícios por incapacidade relacionados a transtornos mentais entre 2012 a 2016, aludidas enfermidades se apresentam como a 3ª maior causa de afastamento do trabalho no País. Cerca de 9% dos auxílios-doença e aposentadorias por invalidez são gerados por transtornos mentais e comportamentais, perdendo apenas para lesões/envenenamentos (31%) e doenças do sistema osteomuscular (19%).


Na Europa, o problema é ainda maior. A Organização Internacional do Trabalho - OIT coloca o estresse na 2ª posição entre os problemas de saúde mais comuns relacionados ao trabalho. São cerca de 40 milhões de pessoas afetadas.


As consequências do Boreout para as empresas podem ser desastrosas, pois afetam equipes inteiras e a sua identificação nem sempre é imediata.


Para prevenir e combatê-la, especialistas recomendam políticas claras de identificação de talentos, estabelecimento de metas de carreira, cobrança de resultados, estímulo à reflexão e criação de espaço para a experimentação, oferecendo mais autonomia para os profissionais, de maneira que eles tenham a liberdade para experimentar processos e competências diferentes dentro do seu papel na companhia.


Por Gabriel Dal Piaz

Advogado (OAB/SC 22.429) e Professor

gabriel@dalpiazadv.com.br


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